quarta-feira, 5 de dezembro de 2007




Para amar você

Eu te esqueço por um instante
Pra me lembrar de mim.
Pra lembrar que só penso em você,
E que só há você
Do meu início ao meu fim...

Eu me perco no escuro,
Pra você me encontrar.
Pra você tocar meu corpo e ver
Que é só você
Quem pode me salvar.

Quais são os dias
E alegrias
Que podem te prender?
Quais são os sorrisos,
E os abismos
Que me separam de você?

Há o seu retrato na parede,
E a sua sombra em mim.
Eu me afogo nesta solidão
Do meu coração,
Nesta saudade sem fim.

Quais são os versos,
E os textos
Que devo te dizer?
Quais são as flores
E os sabores,
Para amar você?

Quais tempestades
E saudades
Que devo te trazer?
Qual será a noite
Que ao meu lado
Você irá amanhecer...?



A poesia fica presa na garganta
Porque o vento leva consigo as palavras.
O tempo em greve
Traz a paz.
Não a paz dos cemitérios
Mas a paz de sorrisos longos,
De olhares voltados para o ponto mais distante do horizonte,
A paz que vem com a calma das ondas quebrando na praia
E com o carinho que fazem nas pedras.
O melhor da vida
É essa simplicidade do mar,
O vôo exuberante da gaivota,
A brisa calma que acarinha a pele,
O cheiro que o mar traz:
Cheiro de um amor perdido
Uma Atlantis guardada nas profundezas
Nas nossas profundezas.



Não te amo como o fogo na noite,

Que reluz e queima e fere,

Nem te amo como flechas em brasa,

Ou furacões de gelo.

Não te amo como a sede no deserto,

Nem como um pingo vermelho num universo branco.

Te amo simplesmente como se ama as coisas pequenas,

E tudo o que faz a vida ser vida

E a morte ser uma continuação...

Te amo como se ama os mistérios,

O desconhecido e o além.

Te amo com uma grande calma,

De quem tem a eternidade a seu dispor.

Te amo tão profundamente

Que a tua mão na minha pele se torna simplesmente

Uma continuação do meu corpo;

Te amo tão profundamente

Que a ausência do teu ser é a ausência de mim mesma,

E quando você fecha seus olhos,

É a minha mente que os sonhos rondam.



Falar bobagem
Comer brigadeiro na panela
Olhar os veleiros no mar
Descobrir desenho em nuvem
Andar descalço na grama
Abraçar uma árvore
Beber com os amigos
Ler cartas
Olhar fotografias antigas
Tomar banho de rio
Brincar na areia
Dançar na sala de estar
Contar piada
Ler romances
Conversar sem ter a necessidade de ser útil
Cantar numa roda de amigos
Observar uma criança brincar
Tomar banho de chuva
Tomar banho de sol
Ouvir sua música preferida
Cantar com a música do rádio
Regar flores
Brincar com um cão
Jogar dominó
Olhar as estrelas
Deitar na rede
Ouvir reggae
Escrever poesia
Tempo bobo.



Acróstico


Em se tratando de sentimento
Uma nova espécie nasceu
Toda iluminada e faceira
Em meio à rotina e à certeza da desesperança, que o
Atento acaso, com suas tramas
Moldou no encontro (in) esperado,
Ourives da vida fez nascer novo brilho nas manhãs

Mostrou a única certeza que devemos ter em meio a todas as certezas
Amor.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007




Vazia
A porta me observa
A te esperar.
Vadia
A tarde segue
Sem te trazer.
Junto versos, frases
Pra cantar
Pra esquecer
Que é você
Que não chegará.
Visto
Minha inútil tristeza
Espalho sobre a mesa
Meus sonhos
Que se perderam.
Repara
Que nem a lua hoje apareceu
E a única estrela que no céu se perdeu
Cantou, dançou
Falou que a dor
Quando é por amor
Morre mas volta
Como o sol a cada manhã.



Olhar o mar,

Ver o céu me faz bem.

O campo, flor, viajar

Sonhar além do que se pode

E ainda mais

Acreditar que o sonho vira

Realidade

Amanhã, talvez depois

Eu volte, chegue ou vá...

Eu vou sempre pra onde os anseios me levam

Gosto da vida simples

Complicar pra quê?

Gosto da dança que o vento faz

Quando passa entre meus cabelos

Gosto do movimento de dedos

Entre meus cabelos

E gosto do movimento dos lábios

Quando beijam com amor,

Prazer

É pra sentir, viver.

É bom sorrir

E chorar faz bem

Mas não quero demais...

Prefiro o olhar perdido

No horizonte

De olhos, pele, sorriso;

Ver o que faz bem

Alma.

Acalento, calma, sopro de vento

Brisa do mar,

Colo macio

Abrir os braços para o que vier

Aceitar,

Gostar.

Sou bicho do mato,

Simples como é

Que afaga sem nada pedir

Cuida, protege, aquece;

Mas fere quando é ferido,

Mata se for preciso,

Unhas retráteis,

Instinto.

Morada de desejo,

Parada de prazer

Sublime encontro

Entre essências

E encontrar o divino.

Ler, cantar, criar

Fazer meu destino

Continuar minha estrada torta

Nessa mata fechada

E talvez achar

O que meu coração veio buscar

Paz.

Ou mais que isso

Amor.

Será?

Só vendo, provando, sentindo

Entre meus dedos escorrer

Por entre as horas

Se perder

Me encontrar.